segunda-feira, 17 de junho de 2013
Escrevi assim em Maio último
Desculpe incomodar.
Não resisto a um comentário ao seu post sobre o "trabalho sexual" que, embora não directamente relacionado, me ocorreu.
Trabalho e trabalhador são expressões usadas muito frequentemente em textos formais e que me parecem, na maioria das vezes, carregados de um certo complexo de esquerda, muito Pós 25 de Abril, muito (infelizmente) medíocre e sempre muito reactivo (ainda reactivo!) após todos estes anos.
Isto a propósito de um documento muito recente, da autoria do ministério da saúde e relacionado com o SIADAP 3, um processo de avaliação de desempenho que vai ser aplicado aos médicos. Pois esse documento ( vale a pena ler) designa os médicos (sempre) como "trabalhadores médicos" o que me deixou entre o estupefacta ( pelo bafio da coisa) e o incrédula (por não acreditar que, tantos anos depois, o estigma permanece, em quem redige os textos da Lei). Porque se há trabalhadores médicos, provavelmente haverá médicos trabalhadores mas médicos só ( para efeitos de avaliação de desempenho) não poderá haver. Como sou médica, presumo que trabalhadora e embora defensora da necessidade de avaliação dos médicos por um sistema paritário e metodologicamente adequado, fico na dúvida se sou trabalhadora médica e portanto não tenho a certeza da minha existência para o sistema. Ficarei, no entanto, satisfeita se existirem trabalhadores professores, trabalhadores juristas, trabalhadores assistentes operacionais, trabalhadores engenheiros e todos os outros que, mesmo que trabalhem pouco, mereçam a designação, em texto com formato de Lei.
Desculpe ter levado com este comentário, que quereria mais curto mas hoje o dia foi mau e a resiliência ( tão fashion esta palavra, quanto vintage é a expressão "trabalhador médico"), essa, é muito difícil e cada vez mais penosa.
Melhores cumprimentos,
Paula Alves
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